A OAB DOS MÉDICOS

A OAB DOS MÉDICOS

Uma crise na área de saúde aqui, outra ali, e de repente o assunto volta a baila. Um bando de cretinos insiste em querer montar uma Ordem dos Médicos do Brasil. Em outras palavras, todos os formandos em Medicina teriam de se submeter a uma prova da “Ordem” para conseguirem uma licença para trabalhar. Você acha que estou errado? Vamos esmiuçar o assunto.
A começar pelo OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Os bacharéis em advocacia precisam fazer a prova para conseguirem advogar. Poucos o conseguem na primeira vez. A saída para muitos é fazer concursos para serem juízes ou delegados. Outros tentam outros cargos até conseguirem o tão desejado número da OAB para abrirem seus escritórios de advocacia.
Voltando aos médicos, vamos pular etapas ou anos e imaginarmos o panorama da existência da ORDEM DOS MÉDICOS do Brasil. Quantos estudantes de Medicina vão conseguir passar na prova? E se alguns ficarem de fora? Provavelmente, se tornarão profissionais de segunda classe. Trabalharão como “médicos de segunda” em serviços de transporte de pacientes ou coisas parecidas, provavelmente. Situação totalmente diferente dos advogados sem OAB.
O pior de tudo é a tendência de um dia a OMB (Ordem dos Médicos do Brasil) existir mesmo. As entidades médicas já obrigam os estudantes de Medicina do último ano a fazerem a prova para receberem a licença para trabalhar. Com uma diferença: não há reprovação nas provas. A obrigatoriedade de sua realização serve apenas com referência para saber o nível dos estudantes.
Para corroborar a possibilidade da existência da Ordem dos Médicos, diversos serviços de residência tomaram uma decisão: A partir de 2016, os candidatos a uma vaga precisam ter ido bem na prova realizada pelo Conselho Regional de Medicina. O funil ficou mais estreito para os futuros especialistas.
De outro lado, questiona-se os motivos das mesmas entidades médicas não tomarem outras providências mais justas e exequíveis. Por exemplo, fazer um planejamento adequado de averiguação do conhecimento dos estudantes no segundo, no quarto e sexto ano de medicina. Caso não conseguissem passar em alguns testes, a direção da escola seria obrigada a rever seus parâmetros de qualidade de ensino e didática. Reformulariam a grade escolar, e os alunos fariam nova prova no quarto ano. Seria o óbvio, não?
Mas não, o Ministério da Educação, as entidades médicas permitem a abertura de novas escolas médicas e reagem desse jeito. O estudante de Medicina, o futuro médico, não pode pagar pela infraestrutura defasada de sua escola e depois de tanto esforço, passar pelo constrangimento de ficar de fora do mercado de trabalho. A sociedade e a comunidade científica merecem um pouco mais de nossos sábios controladores da evolução do médico brasileiro.

0 0 265 27 outubro, 2015 Crônicas, Saúde, Todo Bem-Estar outubro 27, 2015

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

Ver todos os artigos de Stelio Leal Pessanha

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>