Os Homens Querem Ser Sensíveis

O "homem moderno" pleiteia vários novos direitos, entre eles o de vestir saias. (Foto: Internet.)

O “homem moderno” pleiteia vários novos direitos, entre eles o de vestir saias. (Foto: Internet.)

Os nossos pais já viram de tudo na segunda década do século vinte e um. O metrossexual na figura de celebridades como David Beckham. Do homem se maquiar fora do mundo dos atores em cena de algum espetáculo teatral. Do sexo forte disputar com as mulheres quais brincos mais bonitos devem usar ao saírem de casa.
Para muitos isso não passa de uma viadagem congênita. Macho que é macho não chora, não brocha, não faz depilações no peito. Muito menos tarefas domésticas e nem fica em casa cuidando dos filhos. Essas coisinhas restristas as mulherzinhas.
Mas estamos em outros tempos. Prova disso foi o comportamento dos jogadores da seleção brasileira. Choraram durante o hino nacional. Quando fizeram gols. Quando perderam de sete a um para a Alemanha. Choraram o tempo todo e provocaram discussões se isso era normal. Ou se estavam longe do ser macho viril.
Para muita gente, há uma necessidade de se lutar para os homens terem direito de irem as lágrimas. Tanto é verdade que o pessoal da recém-criada campanha “Homens, libertem-se” reivindicam o direito à sensibilidade para o chamado sexo forte.
Urge esclarecer que a campanha não foi inventada por algum homem. Pelo contrário, partiu exatamente de uma mulher, a atriz Maira Lana. E teve o apoio de outros artistas, entre eles: o músico Paulinho Moska, o produtor cultural Nelson Mota e os atores Nico Pug, Marcos Breda e Igor Rickli.
Esse pessoal utilizou a internet para fazer seu manifesto. Defendem o carinho entre amigos. Alguém lembra do “selinho” dado pelo jogador Emerson Sheik em um empresário do setor alimentício? Caíram de pau em cima dele nos estádios.
O movimento ainda faz alarde pelo direito de falhar na cama. De se maravilhar diante da beleza de uma flor. Como se isso não fosse possível. Mas os autores desse movimento ainda querem o fim da obrigatoriedade do serviço militar para serem felizes. Para mover o movimento conseguiram autorização para captar, via Lei Rouanet, R$ 400 mil. O dinheiro, é claro, será usado para divulgar as reivindicações com atividades sociais e artísticas.
Atenção! Para concretizarem seus objetivos pretendem distribuir entre os homens saias estampadas com as diretrizes do manifesto em 12 cidades do Brasil. São elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Natal. Muito importante, ao receberem a saia, esses homens terão de doar suas calças. Pretendem fazer um cortejo de homens com saias. Principalmente durante a Festa Literária em Parati, a Flip.
Conclusão a que se chega, os “Homens” querem ser sensíveis. Restam então, checarem o manifesto e depois de leitura aprofundada sobre o assunto entrarem de cabeça no movimento. Ou não.
MANIFESTO DO HOMEM SENSÍVEL:
Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser;
Posso broxar. O tamanho do meu pênis não importa;
Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho;
Posso ser frágil, ter medo, chorar e gritar;
Posso ser cabelereiro, decorador ou bailarino;
Posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros;
Posso não gostar de futebol ou qualquer esporte;
Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo;
Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se me sentir mais confortável;
Posso cuidar das crianças;
Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser não é uma vadia;
Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos;
Eu não quero mais ouvir a frase: “Seja homem!”
Quero ser mais que homem, quero ser humano.
O machismo também me oprime e quero ser livre!

Jornalista dr. Stélio L. Pessanha

Jornalista dr. Stélio L. Pessanha

0 0 968 28 julho, 2014 Contemporaineidade, Slide, Sociedade julho 28, 2014

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

Ver todos os artigos de Stelio Leal Pessanha

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>