Analfabeto Funcional

jornalista Stélio L. Pessanha

jornalista Stélio L. Pessanha

Educação passou a ser o foco do governo para alavancarmos nosso desenvolvimento. O pré-sal ainda não saiu, mas a maior parte do dinheiro se destina a esse setor sensível da nação. Governos de todas as esferas se esforçam para fazer valer o que a Constituição determina.

Não deve surpreender a ninguém a gritaria geral. No último balanço da Educação mundial para a garotada na faixa dos 15 anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) de 2012, feito pela OCDE – organismo internacional que reúne as maiores economias do mundo -, o Brasil tenha ficado em 57º. lugar, num total de 65 países avaliados.

Pior ainda é perceber o quanto o Brasil está numa situação caótica na Educação. Para se ter um exemplo, sabe-se que em torno de 30% da população entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Traduzindo: não conseguem entender direito o que lê num texto simples, não sabem contabilizar números com mais de quatro ou cinco algarismos, não têm noções elementares de proporcionalidade. Mas você deve estar questionando quanto aos outros 40%. Esses têm apenas o nível básico de alfabetização. Ou, como dizem, “os entendidos” são semianalfabetos.

Precisamos urgente de uma Educação de Qualidade. Não de quantidade. O que adianta construir escolas sem infraestrutura adequada? Mas temos a cultura infernal de construir prédios às expensas dos contribuintes. De começar pelo alto e não pela base.

Pior de tudo é que quem está no poder esquece de cimentar a tal base comentada anteriormente. E isso se chama investir nos professores, oferecer condições básicas em termos de salários dignos. Depois disso, ouvi-los quanto às necessidades do que precisam para desencadear uma onda de desenvolvimento educacional. Quem sabe assim, vamos poder evitar os chamados cidadãos de segunda classe, aqueles limitados a um salário mínimo para manter três filhos ou mais, sem falar na esposa e despesas de casa. E com reflexos futuros nos descendentes.

O governo sabe disso. Os intelectuais sabem disso e, pior para nós, os políticos que elegemos sabem disso. E nós não aprendemos a votar direito. Talvez por sermos todos analfabetos funcionais.

0 0 575 30 dezembro, 2013 Fique Por Dentro, Slide dezembro 30, 2013

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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