O Drama de Socorrer um Ente em Emergência

Imagem: Internet.

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O público em geral sabe o tempo necessário para formar um médico com condições de estar apto a clinicar: Seis anos longos de faculdade de Medicina, internato e depois de residência, seja ela na forma de estágio não oficial ou mesmo sob regulamentação de uma entidade credenciada da Associação Médica Brasileira.

O profissional sai tinindo para enfrentar os problemas de sua especialidade em qualquer parte do planeta. Se sente seguro para tratar e curar os males de seus pacientes. As dúvidas são eliminadas por meio de congressos e seminários rotineiros em todos os anos de vivência profissional.

Alguns se tornam, inclusive, mestres e doutores em suas especialidades. Mas nada os amedrontam com tanta intensidade, quanto enfrentar a doença num membro da família. Ou mesmo em um amigo comum. Nessa hora, o médico descobre o quanto o seu mundinho é pequeno. O quanto o ambiente hospitalar é terra de ninguém.

Depois de tantos anos presenciei uma situação de urgência em que me vi no meio do fogo. Foi durante o treinamento da minha última pós graduação em polissonografia. Para quem não sabe é uma especialização num exame em que estuda os problemas do sono.

Ao me dirigir ao laboratório do sono, alguém avisou ao diretor do serviço que um dos colegas médicos estava voltando para ser socorrido. Tinha tido uma crise convulsiva. Imagina a loucura, um colega da mesma especialidade, neurologia, tendo um problema neurológico. Foi um choque e tanto.

Quando o colega chegou, procedemos a uma TC do Crâneo imediatamente. Mas no início do exame, ele teve outra crise convulsiva. Todos pularam em cima do médico para socorrê-lo. Todos tiveram o mesmo objetivo. Ao mesmo tempo, os médicos presentes gritaram que tipo de medicamento a ser dado para parar a crise convulsiva.

Uma verdadeira loucura, as médicas chorando, apesar de serem técnicas em sua profissão, mas eram os homens os mais nervosos. Um colega, um ente querido, não queríamos nenhum mal para ele. A confusão só parou, quando o chefe do serviço gritou e mandou todos se calarem. Assumiu a liderança do tratamento para solucionar o problema. Logo depois conseguimos controlar o problema

Em pronto-socorro, já vivi todos os problemas, os dramas de relacionamentos com colegas com o mesmo objetivo: salvar vidas. Por isso, que existe a chamada normatização e protocolos de procedimentos em todas as unidades de emergências do mundo.

De outro lado, mesmo existindo toda essa rotina, nem sempre impera o respeito e a consideração nas unidades de emergências. Sinais dos tempos? Ou da falta de cordialidade e consideração pelos colegas mais antigos por parte dos mais novos? Prefiro acreditar em maus entendidos a imaginar que estamos em terra de ninguém.

Jornalista dr. Stélio L. Pessanha

Jornalista dr. Stélio L. Pessanha

0 0 552 28 agosto, 2014 Crônica, Saúde agosto 28, 2014

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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