A Mágoa do Paciente

Foto: Internet.

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A nossa época impera o esquema do vamos que vamos. Não adianta reclamar muito para o papa. Simplesmente, ele está preocupado com o seu próprio nariz. Ou com os problema mais relevantes. Talvez porque esteja num patamar inacessível para os pobres mortais.

Em se tratando de Medicina, o problema decorrente da relação médico paciente abrange a todos. Pode se dizer que toda a equipe de apoio responde pelo que ocorre dentro das portas fechadas de um consultório médico. E a situação tende a se agravar, quando se trata do serviço público. Nesse caso, o bicho pega pra valer.

Isso ocorre em detrimento do que se fala no meio médico, a tal velha falta de gestão. Mas também, de quem o Executivo coloca a frente de UBS e Centro de Especialização. Como também, de todo o processo de funcionamento da estrutura de saúde do município. E pode se dizer que é muito complexo.

Parece complicado para quem está lendo essa crônica. Realmente o assunto mostra-se complexo demais. A começar pelo fato de que na ânsia de resolver todos os problemas dos munícipes, os envolvidos, recepcionistas, alguns médicos e familiares atropelam a ordem natural de atendimento.

O resultado disso é o mal entendido entre médicos e familiares de pacientes. O exemplo mais recente ocorreu com a chamada para ver um paciente que estava em uma ambulância esperando para ser atendido. Espera um pouco. O médico especialista estava atendendo dentro de um consultório outros pacientes. Estava com uma agenda repleta de pacientes esperando pela sua vez.

É a história do jeitinho brasileiro. Alguém pressionou a recepção e foram chamar o neurologista. Conforme a ética médica, o especialista foi até a ambulância e constatou a gravidade do paciente. Na mesma hora explicou para os familiares que precisavam leva-lo para o pronto socorro para ser examinado. Provavelmente, seria internado.

Soube-se depois que isso ocorreu. Três dias depois o paciente veio a falecer. Com essas palavras, a filha do paciente fez o relato para o especialista. Acrescentou ainda ter ficado com mágoa do especialista. Achou que poderia ter cuidado de seu pai. Como? Largado todos os pacientes e acompanhado o moribundo para o PS ?

Para a filha, ficou uma mágoa. Claro, foi feito o questionamento para tanto. A filha respondeu que confiava demais na capacidade de poder salvar o pai dela. E não foi feito. Foi explicado que o trabalho de medicina de urgência era com outra equipe.

A filha entendeu a explicação. Para o especialista ficou a sensação de mágoa no ar. Tudo porque alguém permitiu que isso ocorresse. Desde o primeiro atendimento até liberar um paciente sem a mínimo condições, em estado torporoso, para ir num centro de especialidades e passar com um neurologista. 

0 0 646 14 agosto, 2014 Crônica, Saúde, Slide agosto 14, 2014

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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