Quem Ganhou Foram os Pacientes

Os trinta anos de profissão estão chegando em forma de dever cumprido. Primeiro foi a residência médica. Um misto de aprendizagem mesclado a muita dor e traição de pessoas de confiança. Pior ainda, saber que muitas feridas não foram totalmente curadas. Mas que serviram para formar o profissional com caráter íntegro e forte para enfrentar todos os ambientes médicos que atendo.

Desde cedo, entendi que precisava, paralelamente, buscar aumentar o cabedal de conhecimentos médicos. Mesmo que diferente da especialidade difícil como a Neurologia. Primeiro, planejei conquistar certificações de tudo que estudasse o cérebro. Assim, a Eletroencefalografia entrou na minha vida e permaneceu até os dias atuais.

O estudo do ritmo cérebro me deu o combustível necessário para não parar mais, tanto que parti para os Potenciais Evocados: Auditivo, Visual e Somatosensitivo. Com eles, dominei a pesquisa dos problemas neurológicos desde o dedinho do pé até as entranhas do cérebro.

Em seguida, parti para o estudo dos problemas da audição e do equilíbrio. A Oto-neurologia me proporcionou compreender os motivos de termos tonturas e zumbidos nos ouvidos, mesmo que as doenças desse tipo sejam problemas dos otorrino, mas que sempre enviam os pacientes para o ambulatório dos neurologistas dizendo: “É problema neurológico”.

Faltava estudar os problemas dos nervos periféricos. Fiz de tudo para conseguir o curso e consegui. Foi lá pelas terras das Minas Gerais que encontrei respaldo em meus estudos e obtive minha certificação. Finalmente, faltava para finalizar todo o controle da Neurologia, o estudo do sono. Mas meus pacientes não precisam se preocupar. O curso já está garantido.

Para muita gente, perdi muito tempo fazendo cursos pelos quatro cantos do país. Deixei mulher, filhos e minha vida particular de lado em prol da Medicina. Mas hoje, quando estou num ambulatório de Neurologia, sinto-me à vontade. As queixas dos pacientes se apresentam como dados a serem interpretados com tranquilidade e sem o temor de antes.

Sabe de uma coisa? Com todo esse tempo de estudo, quem ganhou foram os pacientes. E fico muito feliz com essa realidade.

0 0 405 02 julho, 2014 Crônica, Saúde, Slide julho 2, 2014

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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