Aviso aos Bebuns e Cachaceiros

Chega o período de férias e a história recomeça. Toda a família fica preocupada com aquele pessoal com tendências a beber além do habitual. Mas como sabemos as preocupações vão ao mesmo ritmo das promessas de fim de ano. Dessa forma, só nos resta, como profissionais da área de saúde, mostrar como funciona, como o álcool age dentro do nosso organismo, desde ao ingeri-lo até chegar ao cérebro. E por qual mecanismo o álcool lesa o cérebro.

Quando uma pessoa ingere uma bebida alcoólica, o líquido passa pelo esôfago até chegar ao estômago. Dentro dessa estrutura, o álcool é absorvido e cai na corrente sanguínea. Assim, a substância é então levada ao fígado. É exatamente nesse órgão que o álcool é metabolizado, ou seja, processado e transformado em outros compostos químicos. Precisa-se dizer que alguns são excretados por meio da urina, sem afetar o cérebro.

Em contrapartida, outra parte continua sendo tóxica. Essas tais toxinas resultantes do metabolismo do álcool caem na corrente sanguínea e chegam ao cérebro. Elas vão se acumulando de maneira progressiva. Nesse estágio, podem surgir sintomas que vão desde euforia, depressão e diminuição do raciocínio.

Então, é bom chamar a atenção dos bebuns e cachaceiros para a última informação. Quanto mais você passa da conta, mais as toxinas se acumulam, lesando o cérebro. Com o tempo, outros órgãos são afetados pela utilização constante do álcool. O próprio fígado acaba sendo lesado de forma irreversível.

Em termos neurológicos, observa-se de tudo. O cérebro é realmente o mais lesado. A demência torna-se imperativa como manifestação clínica; quadro de crises de incoordenação motora e tonturas que fazem os bebuns correrem de consultórios de otorrinos de todo o estado até a chegada aos neurologistas.

Feito ressonância magnética, o resultado: lesões diversas, como no cerebelo, e confirmação do que todos já sabiam, mas a família não queria aceitar. Esse tipo de lesão pode levar a nunca mais conseguir ficar ereto; vai andar como um macaco.

Enfim, diversos pacientes apresentam comprometimento do sistema nervoso periférico. São aquelas dores, tipo queimação nas pernas que não melhoram nunca. São as lesões dos nervos periféricos do tipo desmielinizante (o neurônio tem uma camada de mielina que é lesada pelo álcool).

O tratamento existe para todos esses tipos de lesão, mas não surte efeito em um, dois ou seis meses. Leva tempo para se conseguir uma melhora do quadro, o que irrita todos os acometidos pelo excesso de álcool.

O melhor é beber com moderação.

0 0 778 23 janeiro, 2014 Fique Por Dentro, Saúde, Slide janeiro 23, 2014

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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