Não Há Seguro para Estas Respostas

jornalista Stélio L. Pessanha

jornalista Stélio L. Pessanha

Meu pai foi o responsável pela minha formação humana. Sempre me incitou a ler livros e mais livros. Deveria devorar tudo que aparecesse a minha frente, fossem revistas, artigos, resenhas etc. Somente assim poderia alcançar o apogeu da intelectualidade.

Para alcançar o mundo, deveria aprender a língua inglesa. Assim, conseguiria entender como a nação mais poderosa do mundo se comporta. E desde cedo aprendi um ditado americano: “não abra o armário; ele está cheio de esqueletos”.

Os conhecimentos adquiridos, daquele tempo até hoje, me fizeram entender muita coisa, inclusive as perguntas que agora aparecem num comercial bem humorado da Televisão para uma empresa de seguro, que vou invocar para a área da Saúde. Faço isso porque não tenho mais aquela vontade de antes de sentar-me a uma mesa e discutir Saúde Pública. Ficou chato.

Temos um prefeito médico na cidade em que moro, um governador médico no comando do maior estado, em que moro, e no qual tanto sonhei morar. Pois bem. Quero fazer a seguinte pergunta: por que há dificuldades por parte do povo em ser atendido no sistema de Saúde Pública?

Consigo entender o suficiente para responder. Fiz diversas pós-graduações para entrar nas entranhas do sistema público. Melhor ainda, tornei-me um servidor de duas cidades. Compreendi que, na maioria das vezes, não é um problema de falta de dinheiro, pois este surge como um imperativo em todo o sistema, seja ele público ou privado. Em contrapartida, o problema concentra-se mais no gerenciamento da coisa pública.

Ou seja, falta vontade política para resolver o problema. Os governantes escolhem mal os que vão administrar a pasta da Saúde.

Outra pergunta: por que os que detêm o Poder não fazem um planejamento a curto e longo prazo para cada canto do pais? Somos um continente, com culturas e características diferentes. Precisamos de uma estratégia financeira para cada região. Mas nada é feito.

Mais uma: por que não valorizar o pessoal da Saúde? Não pagar decentemente os médicos e enfermeiros? Nada disso. Em vez disso, as autoridades inventam o programa Mais Médicos. O governo paga 10.000R$ limpinhos para o cubanos; em contrapartida, médicos brasileiros ganham míseros 3.000R$ brutos. É muito para a cabeça!

Para finalizar com chave de ouro: o que adianta ter médicos comprometidos com a Saúde Pública se os dirigentes insistem em não ouvir os que estão na linha de frente? Podem acreditar: no SUS há médicos comprometidos em resolver os problemas de agendamento e espera por consultas médicas. mas não adianta nada.

A verdade é que não há seguro para esses questionamentos, mas a gente está aqui para dar uma luz a essa problemática.

0 0 431 16 dezembro, 2013 Crônica, Saúde, Slide dezembro 16, 2013

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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