Exame e Reclamação

jornalista Stélio L. Pessanha

jornalista Stélio L. Pessanha

Alguns pacientes mal intencionados costumam constranger os médicos. O caso mais recente responde por realização de consulta e exames no mesmo dia. No caso, o exame é o de Eletroencefalografia e Potenciais Evocados.

O relacionamento médico-paciente deve sempre ser regido por respeito. Acima de tudo, por respeito mútuo. Os médicos sempre estão à disposição dos pacientes. De outro lado, é sempre importante destacar alguns fatores: um deles diz respeito ao fato de que, quem procura os profissionais de Saúde, é o paciente, pois, claro, necessitam de ajuda médica para resolver seus problemas físicos e mentais. Nesse sentido, o paciente precisa ir ao consultório desprovido de qualquer ranço. Ser permeável a uma interação com seu médico. Outro fator é que o trabalho médico depende de exames complementares até chegar a um diagnóstico.

Dependendo da especialidade, o custo dos exames pode realmente ficar caro. Mas essa responsabilidade é do paciente, do município, do Estado e até do governo federal. Em relação ao médico, é reservado fazer a anamnese – exame físico – e pedir exames complementares. Alguns desses exames podem ser realizados no mesmo dia.

Com uma profissional técnica bem treinada, limpa-se o couro cabeludo e colocam-se os eletrodos para realizar os exames solicitados. No retorno, geralmente depois de quinze dias, o paciente vai receber os exames e fazer nova consulta. Rotineiramente, o médico pergunta se tomou a medicação e se tomou de acordo com as orientações. Algumas vezes, a resposta é não. Como profissional de Saúde, o paciente – principalmente de neurologia – é avisado de que essa resposta será registrado em sua ficha clínica. Isto devido à patologia em alguns casos ter caráter expectante.

Sem o médico saber, muitos pacientes esquecem do bom relacionamento e saem falando barbaridades e fazendo queixas para o convênio. Sobretudo, se foi necessário solicitar mais um exame de imagem. Pior ainda, costumam falar do EEG, para o qual não foi solicitado lavar a cabeça com sabão de coco. Esquecem que foram avisados da necessidade do diagnóstico rápido. De que a técnica limpou com álcool o local de colocar os eletrodos.

Assim, esses tipos de pacientes aumentam o abismo entre si e os médicos. Preferem a calúnia e as queixas para as entidades. Em vez de diálogo, confronto; em vez de respeito, da conversa no consultório, tenta-se acabar com um trabalho de mais de vinte anos.

Determinados tipos de pacientes procedem assim. Na mesma proporção, urge a necessidade de fazer mais protocolos e colher assinaturas, quando é preciso fazer o exame nas condições comentadas. Aumenta a burocracia e dá espaço para uma medicina burocratizada no lugar da conversa maravilhosa entre médicos e pacientes.

0 0 772 18 novembro, 2013 Fique Por Dentro, Saúde, Slide novembro 18, 2013

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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