SIMPLESMENTE JENNIFER

Escrevo esta crônica um dia depois do Natal. Ainda na rebarba da maior prova de manter a estabilidade emocional que um homem possa sofrer. A do acidente vascular que acometeu a minha filha mais velha. Logo ela, a primogênita, a minha parceira, cara metade, meu alter ego para ser econômico em palavras. Pois, falar na Jennifer em toda a sua essência precisaria muito mais do um texto para defini-la como ser humana.
A começar pelo fato de que não queria ser pai de meninas. Afinal de contas, fui criado com quatro homens. Só a santa de minha mãe para dar um toque de sensibilidade no meio do imperialismo masculino reinante em nossa casa. As idéias do poder supremo dos homens ficaram impregnadas em meu cérebro. E reinariam em todo o meu comportamento em relação como seria com meus filhos.
O destino só não contava com o nascimento de uma menina em minha vida depois de perder dois filhos homens. Para que? Para mudar a estrutura e direcionar a vida de um homem obtuso em sua forma de pensar pelo resto da vida. E aconteceu conforme um roteiro bem escrito. O anjo enviado pelo senhor transformou a minha vida. Me fez uma pessoa melhor. Aprofundou todos os meus sentidos, a minha sensibilidade e o amor por tudo que gostava na vida.
Provamos ao mundo por meio da Medicina como aos trancos e barrancos nós conseguíamos nos entender. Até chegar ao estágio de integração total de pensamentos voltados para o bem maior: os nossos pacientes. Sem falar do gosto pela literatura, os jornais e revistas. O gosto para escrever para o teatro, ou mesmo produzir um texto para alguma mídia ainda faltava na minha missão de parceiro da vida.
De repente, “a força maior” que escreve os roteiros de nossas vidas tenha se enganado. Quem não dorme direito, não se alimenta adequadamente e não faz exercícios regularmente, é o pai, não a filha. Mas ninguém conhece os desígnios do senhor, falaram os religiosos. Difícil de entender, de aceitar a filha caída em sua mãos. Mas a primeira etapa passou.
A Jennifer fera voltou. Se revolta por não estar totalmente curada. Mas o tempo vai modificar tudo. Ela
vai voltar como era antes. Linda, maravilhosa, brava, irritadiça, mas acima de tudo, SIMPLEsMENTE JENNIFER. A razão de minha vida.

15 0 600 26 dezembro, 2015 Crônicas, Saúde dezembro 26, 2015

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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