Chuvas Aliviam Problemas, Mas Não Resolvem

Chuvas diminuem naturalmente com o retorno do período seco no outono

(Fonte: http://jornaldotempo.uol.com.br Por: Aline Cardoso)

Foto: Sergio Castro/Estadão Conteúdo

A falta de chuva e o calor recorde têm trazido sérios problemas para uma das maiores matrizes de abastecimento de água do mundo. A capacidade dos reservatórios do Sistema Cantareira atingiu o menor nível em toda história. O Sistema, que é formado por quatro represas e abastece 47% da Grande São Paulo, atingiu a marca preocupante de 19,4%, segundo a Sabesp. Isso acontece porque a chuva tem sido insuficiente sobre as nascentes das principais Bacias Hidrográficas do Sudeste.

Para se ter uma ideia, em dezembro de 2013 choveu apenas 62,9mm, quando o normal de chuva para o mês era de 226,8mm, segundo dados da Sabesp. Esse foi o pior mês de dezembro desde que a medição começou a ser feita, há 84 anos. A chuva acumulada sobre a cidade de São Paulo tem pouca importância para o aproveitamento no Sistema de distribuição de águas da Sabesp, já que a maior parte dos municípios que compõem o Sistema estão entre o norte da Grande São Paulo e o sul de Minas Gerais.

Apesar de dias seguidos com tempo quente e seco, a precipitação na Capital paulista ficou dentro da média climatológica em janeiro, que é de 238,7mm. Já nas regiões que alimentam o Sistema Cantareira, como os principais rios e suas nascentes, o acumulado em janeiro ficou abaixo do normal. Entre Camanducaia-MG e Mairiporã-SP, área de grande importância dentro do Sistema Cantareira, o volume acumulado foi 87,8 mm, sendo que a média é de 260mm. Além da falta de chuva, outro fator contribuiu para o desabastecimento: o mês de janeiro foi o mais quente da história em São Paulo, o que ajudou elevar o consumo de água em toda a Região Metropolitana. Neste mês de fevereiro, houve escassez de chuva. Foram poucos episódios de pancadas fortes e em pontos isolados, o que também ajudou para o cenário atual.

A previsão da Somar Meteorologia indica retorno das chuvas ainda esta semana

Para aliviar a situação dos reservatórios do Sistema Cantareira, seria necessário uma sequência de dias chuvosos entre o sul de Minas Gerais até o norte de São Paulo. Essa área engloba os municípios de Joanópolis, Extrema, Piracaia, Itapeva, Nazaré Paulista, Monte Verde e Mairiporã. São nessas localidades que se encontram as nascentes dos principais rios que alimentam os quatro grandes reservatórios do Sistema: Represas de Paiva Castro, Águas Claras, Cachoeira, Atibainha, Jaguari e Jacareí.

“A previsão é de que as chuvas mais generalizadas e homogêneas devam começar a se intensificar entre o final de fevereiro e o início de março” – afirma o meteorologista Willians Bini da Somar. Esse cenário deve aliviar a queda nos níveis dos reservatórios, mas não será suficiente para recuperá-los até o final da estação chuvosa, que se encerra entre março e abril. Durante o período seco, entre junho e agosto, é normal mais uma vez o desabastecimento dos reservatórios, e a expectativa de uma nova recuperação viria apenas com as chuvas que se iniciam entre outubro e novembro.

O mês de janeiro de 2014 foi extremamente atípico, especialmente quanto ao calor e a distribuição de chuva, devido a um bloqueio atmosférico. Esse sistema que está sobre o Sudeste e Sul do país impede a passagem de frentes frias. De acordo com as projeções da Somar Meteorologia, esse bloqueio deve ser rompido a partir de sexta-feira, e as frentes frias devem finalmente avançar sobre a Região Sudeste. “O modelo mostra que em meados do dia 20, teremos outra frente fria que consegue organizar toda a umidade da amazônia, e assim teremos dias mais chuvosos, com precipitações mais fortes e generalizadas” – comenta o meteorologista Celso Oliveira. A chuva deve recuperar pouco o nível das represas, o que não é suficiente para recuperar o deficit hídrico.

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Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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