Hall da Fama da Natação Brasileira

“Um país sem memória é um país sem futuro.”

por Renato Cordani – Swim Channel
Geofísico, ex-nadador e criador do blog Epichurus

A frase do subtítulo é de autoria desconhecida e tão imponente quanto batida, mas mesmo assim é muito difícil discordar dela. É particularmente verdadeira do ponto de vista esportivo, pois, se não cultuarmos nossos ídolos do passado, como vamos estimular o surgimento de novos?

Ao menos um país segue à risca esse ensinamento. Os Estados Unidos da América são a maior potência olímpica mundial e ostentam a melhor natação do mundo (ganharam nada menos do que a metade de todas as medalhas de ouro nesse esporte nos últimos Jogos Olímpicos). Coincidência ou não, é lá que abundam os halls of fame.

Hall of Fame é um memorial que honra os ídolos do passado, homenageando simbolicamente os protagonistas e seus feitos. O Hall of Fame de natação fica em Fort Lauderdale e tem caráter mundial – os laureados não são necessariamente americanos – e é sensacional. Veja mais no site da entidade: ishof.org/.

No Brasil, não temos essa tradição, a não ser no caso particular do futebol e em exposições pontuais que surfam na onda das Olimpíadas de 2016. Uma forma de abordar nossa deficiência no quesito “memória” é louvar o interesse dos americanos em cultuar seus ídolos, e reclamar que nós não fazemos isso: “veja o belo exemplo dos Estados Unidos, o Swimming Hall of Fame deles é sensacional!”, ou: “eles sim é que sabem cultuar seus ídolos!”, quiçá: “será que nunca vamos ter o nosso Hall of Fame?”.

Mas refletindo e avançando na questão: para quem reclamamos? Quem deveria criar o Hall da Fama da natação brasileira? Seria o presidente da república? O ministro dos Esportes? A CBDA? O bispo? A sociedade civil? E já que “sociedade civil” somos você, leitor, e eu – ou seja, nós mesmos -, uma outra abordagem um pouco mais ativa é o que estamos propondo: a criação do Hall da Fama da Natação Brasileira (HFNB). Após um período inicial de deliberações internas, o HFNB foi inicialmente gestado de forma virtual pelo grupo fundador do blog Epichurus (epichurus.com) e, por enquanto, está hospedado como seção dentro do blog.

O primeiro homenageado pelo HFNB foi nosso primeiro medalhista olímpico Tetsuo Okamoto (o leitor da SWIM CHANNEL já o conhece, pois leu sobre Tetsuo na edição #09). O segundo a entrar no HFNB foi o não menos extraordinário medalhista olímpico e recordista mundial Manoel dos Santos.

O tiro de partida do HFNB frutificou; a SWIM CHANNEL abraçou a ideia e, a partir daí – no intuito de dar maior credibilidade na determinação dos laureados e da ordem de entrada no HFNB -, foi criado um comitê que ora conta com os seguintes membros:

Presidente: Carlos Eduardo Dudorenko

Conselho Consultivo: Renato Cordani, Marcelo Menezes, Rodrigo Munhoz, Fernando

Magalhães, Patrick Winkler, Daniel Takata Gomes, Rogério Romero, Ruben Márcio

Dinard e William Urizzi de Lima

 

Critérios de Entrada no HFNB

A natação é esporte essencialmente objetivo. Ao contrário de outros esportes, não há muito espaço para “queridinho do técnico”, “perseguido injustamente pela imprensa” ou “esse aí não joga nada, só tem mídia”. Em natação, sai aqui, chega ali; quem bater primeiro ganha. Simples assim! (aliás, essa é uma das grandes razões pelas quais a gente gosta tanto desse esporte). Por isso, os critérios de entrada no HFNB devem ser fundamentalmente calcados em critérios objetivos. Entretanto, isso não significa que a escolha se dará como algoritmo de computador e que o contexto das conquistas será negligenciado. Apenas um exemplo do chamado contexto: um ouro no PanAmericano em 1983 que contou com os principais nadadores do continente tem valor diferente desse mesmo metal em 2007, que contou com a seleção “C” dos Estados Unidos e Canadá. Trocando em miúdos, o comitê basicamente vai decidir a ordem de entrada dos nadadores com base em critérios objetivos e levando em conta o contexto.

Quando lançamos a ideia do Hall da Fama no blog, houve expressivo apoio da comunidade aquática. Dentre as diversas sugestões e apoio que recebemos, o finalista olímpico Rogério Romero colocou-se à disposição para ajudar; o multicampeão brasileiro Cristiano Azevedo disse que “esse é o primeiro e mais importante passo para grandes realizações”; o multicampeão mundial master Antonio Carlos Orselli sugeriu muito rigor nos critérios para a entrada no Hall da Fama; o olímpico Luiz Francisco Teixeira de Carvalho deu várias boas dicas, sobretudo no sentido de flexibilizar os critérios para as moças, e o medalhista olímpico Jorge Fernandes acrescentou várias outras sugestões, como a de abraçar outros esportes aquáticos.

Não sabemos se o Hall da Fama da Natação Brasileira será virtual para sempre (por exemplo, o Hall of Fame americano de águas abertas não tem sede, é apenas virtual. Veja aqui: imshof.org/) ou se um dia será materializado em ambiente físico. Neste momento, o que importa é termos apoio da comunidade para levar essa ideia avante em vez de ficarmos invejando os “halls da fama alheios”.

Portanto, mãos à obra e vamos reconstruir juntos a memória e, por conseguinte, o futuro da natação brasileira.

Renato Cordani

 

0 0 691 05 setembro, 2013 Esporte, Natação setembro 5, 2013

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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