CRITICAR PRONTO-SOCORRO É MAIS DO QUE MOTIVAÇÃO POLÍTICA

Diz um ditado que uma vez médico sempre médico. Pode ser jovem, idoso e aposentado, mas sempre será um médico que exerceu a profissão. E não tem nada mais incomodativo para um médico ver críticas aos locais que trabalha ou um dia trabalhou. Principalmente, se for um pronto-socorro, aí o bicho pega de vez. Os motivos podem ser resumidos em poucas palavras:
Somente um médico que trabalhou ou trabalha conhece os verdadeiros problemas em sua rotina. Inclui na questão, recepcionistas, enfermeiros, para médicos, os médicos e finalmente, os administradores. Estes últimos, em sua grande maioria, um bando de idiotas leigos sem nenhum preparo na área da saúde. Sem falar dos secretários de saúdes. Os donos do poder, ou representantes do poder que só fazem o feijão com arroz.
Na grande maioria das vezes, quando assumem a secretaria de saúde não apresentam nenhum projeto de melhoria. Preocupam-se apenas em assinar faturas. Como também, fazer exatamente o que o prefeito manda. Em outras palavras: nada minha gente.
Precisa ser dito também no contexto, que os médicos não tem poder sobre a administração de um pronto-socorro. E é bom que se diga uma coisa, em grande parte dos prontos-socorros e UBS impera o sentimento de “pisar em seu semelhante”. A impressão é de que “pobre adora pisar em outro pobre”. Não facilita em nada a vida dos mais necessitados.
Para se ter uma ideia, uma vez um paciente chegou atropelado em meu pronto-socorro na Freguesia do Ó, a recepcionista não queria fazer a ficha por não ter o nome. O homem machucado não conseguia falar. Só palavras confusas. Pelo sim e pelo não, gritei “fale o seu nome”. E ele: hum, hum, hum… Falei para a recepcionista, pronto: O nome dele é hum, hum e levei para atende-lo.
Em suma, os médicos num pronto-socorro são verdadeiros heróis. Não têm equipamentos suficientes, não conhecem com quem trabalha. A remuneração é uma piada para um profissional obrigado a passar por todo tipo de provação técnica e psicológica. Então, críticas aos profissionais da saúde de pronto-socorros em período eleitoral não passa de oportunismo de quem não conhece o trabalho de toda a equipe.

1 0 323 25 março, 2016 Editoriais, Saúde, Vozes Fortes março 25, 2016

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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