Carlos Heitor Cony – 90 anos de INSPIRAÇÃO

Falar do colunista do jornal Folha de S. Paulo é chover no molhado. Todo mundo o conhece. O escritor é amado por todo mundo. Na próxima segunda-feira, ele completa 90 anos. Mas nem pense em fazer festa para o homenageado. Só pensar nessa ideia, ele simplesmente surta de raiva. E ameça fugir do mundo para não ser pego de surpresa por ninguém.
Nem mesmo a Academia Brasileira de Letra teve sucesso. Os acadêmicos tentaram uma singela homenagem com uma exposição. “O homem” simplesmente não autorizou nenhuma exibição de sua história. Para piorar a situação, a sua editora anunciou o lançamento de uma caixa contendo todos os seus 80 livros escritos, o que deixou Cony louco da vida.
Sua motivação em termos de vontade de viver e escrever para seus leitores contrasta com sua dura realidade em termos de saúde. Além de ter sido operado de um hematoma cerebral, ainda luta contra um câncer no sistema linfático. Sua casa no Rio de Janeiro funciona uma verdadeira UTI para melhorar sua qualidade de vida. Inclusive, toma uma medicação experimental que custa em torno de 18 mil reais a dose.
Mas nada disso, deve ser levado em conta em relação a história desse escritor que ainda mantém a chama da literatura. E não foi pouco, Cony passeou com desenvoltura entre romances, contos, crônicas, ensaios e adaptações de clássicos.
Não há como falar de tantos livros, mas podemos citar alguns considerados essenciais: “O Ventre” de 1958, seu livro de estréia. “Informação ao Crucificado” escrito em 1961, escrito em forma de diário, um livro autobiográfico. Mas nada se compara ao “Quase Memória” é um registro de reminiscências. A leitura desse e dos outros livros levam aos leitores a refletir sobre a vida. Sobre a arte de escrever.
Em pelo menos uma vez, tive a oportunidade de estar perto do escritor durante uma sessão de lançamento de um de seus livros. E não perdi a oportunidade de fazer a pergunta que todo mundo gostaria de fazer: De onde, ele consegue tanta inspiração para escrever em tudo que é mídia? Ele não titubeou e disparou: “Olhe o mundo como observador, e leia, leia de tudo e até o que as mulheres estão lendo”. Talvez seja por isso, que eu esteja aqui escrevendo essa crônica.

1 0 493 12 março, 2016 carousel, Crônicas, Cultura, Literatura março 12, 2016

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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