Agosto, Mês do Folclore Brasileiro

O Folclore Nacional tem um rico histórico, registrado por inigualáveis historiadores que, com coragem, minimizaram obviamente gestos repressivos impostos a nossa cultura popular. Alceu Maynard de Araujo, Solano Trindade, Luis da Câmara Cascudo, Edson Carneiro e outros. O papel deles era preservar. Claro que eles sabiam que não viveriam para sempre, mas deixaram vivas a nossa historia.

Solano define bem quando diz: “pesquisar nas fontes de origem e devolver ao povo em forma de arte”. A humildade desses personagens era tantas que não guardaram para si jamais; sabiam que as comunidades de cada região eram donas de suas próprias culturas; eles só queriam despertar em cada uma a sua força: ritmo, dança, canto, que juntos se fortalecem. De um lado, o frevo, Maracatu, Congada, Folia de Reis, Bumba Meu boi, Marujada, Bloco Afro, Afosé, Samba, seja de roda, seja de umbigada, Coco de Alagoas; do outro lado, repentes, poesias, o pregão do nordeste, comida e bebidas típicas, cordel. E por aí vai: mambembe, teatro, historia do Negrinho do Pastoreio, Saci Pererê.

Essas culturas só enriquecem e, quando algo as ataca, só alimenta as consciências. É o que torna cada vez mais fortes suas comunidades, que devem continuar lutando para evitar que se torne moribunda (quase agonizante). Com isso, os intérpretes, músicos, os nossos contemporâneos historiadores, compositores, eruditos, coreógrafos clássicos, se inspiram.

O folclore, queiram ou não, contribui com a sociedade como um todo. As repressões à religião africana, Lundu, o jongo, capoeira, para vocês terem uma ideia, foi a grande estratégia da sociedade racista. Temos ao longo dos tempos repudiado essas e outras práticas, pedindo fim da intolerância religiosa; por outro lado, exclamamos que não somos contra nada, desde que não afete o que chamamos de ética.

O nosso Por que Hoje é Sábado (programa da rádio ONDA FM 87,5 que vai ao ar aso sábados, às 18h00) vai dar folclore de presente para vocês curtirem, esperando que, de agora em diante, se voltem para os folguedos e sintam a alegria de viver dos nossos historiadores que não mais estão entre nós. Esperamos que vocês deem continuidade e possam um dia mostrar que a cultura está viva ainda aqui, que vivam esse universo da verdadeira prova de amor de um povo, o povo brasileiro de ponta a ponta.

Temos no Brasil o Centro de Tradição Gaúcha, tivemos as Frentes Negras, nosso Centro de Cultura de Arte Negra; estão aí representados nos centros de preservação espalhados pelo País. Temos as Ligas das Escolas de Samba, Museu do Folclore, uma infinidade de entidades que preservam ainda com tanta força a nossa cultura e, com autenticidade, a nossa cultura sempre em alta. Basta que divulguem, não se iludam, utilizem mesmo que precário o nosso transporte público e juntem amigos e amigas e deem um giro por este mundão brasileiro.

Temos milhares de roças de candomblé, terreiro de Umbanda, Casas de Jongos etc. Olhem com seus próprios olhos, vocês vão ver que viver sem a cultura popular é pior.

Liberto Trindade

0 1 1051 17 agosto, 2013 Cultura/Entretenimento, Diversos, Slide agosto 17, 2013

Sobre o autor

Dr. Stélio Leal Pessanha é médico com formação em Neurologia e Neurocirurgia e atua em consultório desde que se formou. É chefe de neurologia e neurocirurgia das cidades de Caieiras e Francisco Morato, pós-graduado em Neurologia, eletroencefalografia, eletroneuromiografia, Oto–neurologia, potencial evocado auditivo, visual e somatosensitivo. Desenvolveu e desenvolve atividades em: - clínica médica: Saúde Pública, Administração Hospitalar, Patologia Clínica, Medicina do Trabalho, Medicina do Tráfego, Didática do Ensino Superior - em comunicação: USP (Português, Inglês), Uninove (Jornalismo-Publicidade). Roteirista de rádio, teatro e TV É escritor: - “O Mestre Aprendiz de Medicina”, livro já editado que mostra a trajetória de um médico no dia a dia com pacientes no consultório, prontos-socorros e centros cirúrgicos (acesse https://www.youtube.com/watch?v=Gc0F4Z6DtUs para mais informações) - “O destino Cuspiu para o Alto”, em fase de execução, livro a respeito de membros de algumas famílias que tinham tudo para dar certo, mas trilharam o caminho do mal. Como cidadão, a rebeldia de um então jovem médico recém-formado o levou a fundar um jornal (Gazeta Regional de Caieiras e região), uma rádio (Onda FM 87.5), webTV (TV Nova Onda e está a caminho de abrir sua TV retransmissora, todos sob a égide da Associação de Mídia Comunitária, a AMIC). Todas as mídias objetivam defesa da democracia, do meio ambiente e dos direitos do que mais precisam.

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